“Fazei de mim um instrumento de vossa paz!”

Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor, nas Festas de Nossa Senhora e dos Santos, exceto dos mártires. Simboliza alegria, ressurreição, vitória, pureza e alegria.

21/04/2018 - Ano: C
Cor Litúrgica: Branco (Saiba porque!)

Nasceu CONTARDO FERRINI em Milão, no norte da Itália, a 4 de abril de 1859. Tendo entrado na Ordem Franciscana Secular ainda adolescente, conseguiu aliar à ciência humana a sabedoria dos santos. Educado numa família profundamente cristã, passou sua mocidade entre a escola, família e Igreja. Quis aprender tudo muito bem e pretendeu percorrer as fontes do conhecimento. Desse desejo decorre o seu aprendizado de inúmeros idiomas, dos quais se destacam aqueles que impulsionariam os seus estudos de Direito: o latim, o grego, o alemão. Conhecia também o espanhol, o francês e o inglês. Para a busca das fontes da verdade religiosa, consubstanciadas na Bíblia, aprendeu o hebraico, o siriaco e tinha algumas noções de copto e de sânscrito. Seu pai, um professor e engenheiro com boa formação já lhe explicara que ninguém deve confiar nas informações de segunda mão, ainda quando parta de pessoas eruditas, resumindo aquela lição que não custa termos sempre presente: vá direto às fontes da verdade. Pois bem, as fontes da verdade jurídica, CONTARDO FERRINI buscou encontrar nos clássicos.

Estudando a história do direito criminal dela encontrou traços nos poemas de Homero e de Hesíodo e o trabalho que escreveu a respeito lhe valeu a láurea na Universidade de Pavia, no ano de 1880, além da bolsa de estudos que lhe deu ensejo a estudar na Universidade de Berlim. Dali retornou para a Itália, com instrumental para publicar a célebre edição crítica da paráfrase grega das Institutas de Justiniano, à qual se seguiram os estudos sobre fontes e história do direito romano, sua contribuição notável à reconstituição dos "Basílica" e, ao todo, mais de duzentas publicações de caráter cientifico. Seu magistério universitário teve inicio em Pavia, com a cadeira de direito penal romano e prosseguiu em Messina, onde lecionou Direito Romano, assim como em Modena, até que, em 1893 obteve a livre docência em direito romano, retornando a Pavia, cidade onde cumpriu a ultima etapa da sua proficiente jornada acadêmica, conquanto residisse com seus pais na cidade de Milão. A aliança entre o conhecimento e a fé se impuseram a FERRINI como algo co-natural.

De fato, constatou que a lei natural nada mais é do que aplicação da lei eterna, concorrendo ambas para o bem da pessoa e da humanidade. Percebeu, claramente, que o direito não pode estar separado de seu fim supremo e que este só tem sentido com a conquista dos valores que transcendem ao puro materialismo. Foi capaz, desse modo, de amalgamar, como sublinhou PIO XII, o trabalho profissional com a vida intima: o conhecimento e a fé se tornaram, para ele, o verdadeiro modo de vida. Sua natural humildade e seu amor aos pobres levaram-no a identificar-se com os ideais da Sociedade de São Vicente de Paulo e esses mesmos distintivos, aliados a uma predileção pelas coisas da natureza fizeram-no Terceiro Franciscano Viveu em momento histórico particularmente difícil. A Santa Sé, após a ocupação de Roma pelos piemonteses em 1870 não queria que seus seguidores se identificassem com o regime e FERRINI se dedicava a atividades caritativas no âmbito das associações a que pertencia até que, com LEAO XIII e a Rerum Novarum, com sua grave denuncia a respeito da condição dos operários, um novo papel político foi reservado aos católicos.

Eleito conselheiro municipal de Milão, FERRINI utilizou conhecimento e fé no desempenho de suas funções, demonstrando os erros do materialismo e defendendo os direitos das crianças. Apreciava a natureza e praticava o alpinismo. Conta-se que um de seus companheiros de conselho desenhou a caricatura dos membros daquele colégio e que, a de FERRINI, se achava aureolada. Sem embargo, também no lazer não perdia a perspectiva da fé, como se nota deste seu escrito: "Deus também fala ao homens nas nuvens, nos altos picos das montanhas, no fragor das torrentes, na majestade nítida dos penhascos, no esplendor deslumbrante da neve derretida, no sol que tinge de rubro o fim do dia, no vento que desnuda as árvores. A natureza vive do sopro de sua onipotência, sorri em sua alegria para com Ele, oculta-se de sua ira - mesmo assim, saúda-o , eternamente jovem, com o sorriso da sua própria juventude. Pois o espírito de Deus pelo qual a natureza vive é um espírito sempre jovem, que se renova incessantemente, feliz na neve, na chuva, na névoa, pois destes fenômenos todos é que surge o nascer da vida, irrompe sempre de novo e indômita a esperança e todas as prerrogativas abençoadas da juventude mil vezes renascida.

Passava as férias em Suna (Novara), junto ao Lago Maggiore e, consta que nas montanhas conheceu outro apreciador do esporte, Dom Achille Ratti, que mais tarde, já ocupando a Sé de Pedro como PIO XI, seria vigoroso promotor de sua beatificação. E foi ao retornar para Suna, após uma escalada ao monte San Marino, no Valle Anzasca, que se constatou a doença de que viria a falecer: o tifo. Tinha apenas quarenta e três anos de idade quando, aos 17 de outubro de 1902, descansou na paz do Senhor.

No dia 13 de abril de 1947, o Papa PIO XII inscreveu o nome de CONTARDO FERRINI no Catálogo dos Beatos, depois de terem sido proclamadas as suas virtudes heróicas em 1931. Em outubro de 1947, na Semana Ferrini, o Bem-aventurado CONTARDO FERRINI foi proclamado Patrono da Faculdade Paulista de Direito, da Pontifícia Universidade Católica e, a Sala de Reuniões da mesma Faculdade homenageia o seu nome. Alguém, que passeava pelas ruas de Pavia avistou aquele homem de vastas sobrancelhas, barbudo e de sobrecasaca, e indagou a seu acompanhante: "O que há de especial nesse homem?" E o outro respondeu: "Ele é um santo!"
Nada, em seu natural, o distinguia das demais criaturas, porem seu trabalho profissional (o conhecimento) estava ligado indissoluvelmente ao seu ideal (a fé).